O Abuso Corporativo
Já faz alguns meses que circula na internet o boato de que a multinacional de sementes transgênicas MONSANTO havia entrado com uma liminar para retirar de circulação a cartilha sobre alimentos orgânicos feita pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). E o resultado?
Embora essa notícia tenha gerado muita polêmica, representantes da empresa no Brasil alegam que não passa de boato, e outras fontes afirmam que essa medida foi tomada por parte dos próprios integrantes do ministério para corrigir divergências geradas por afirmações contidas na cartilha, tais como: a diferenciação em qualidade entre alimentos orgânicos e convencionais e a ênfase dada ao consumo de orgânicos como fonte de alimentos seguros para o consumo, uma vez livre de agrotóxicos.
O Presidente da Câmara Temática de Insumos Agropecuários do MAPA, Sr. Cristiano Walter Simon, diz que “É arriscado simplificar o conceito de que os produtos orgânicos são necessariamente saudáveis e seguros, já que podem apresentar contaminações biológicas e físicas, além de químicas, se não houver rigoroso monitoramento. (...) É um risco difundir o conceito de que todo alimento orgânico é saudável.”
A Câmara Temática é composta majoritariamente por representantes da indústria de “insumos” (leia-se agrotóxicos, fertilizantes e sementes melhoradas), o que nos leva a crer que como toda polêmica tem um fundo de verdade, essa seria mais uma envolvendo a multinacional, que já é difamada há décadas desde o lançamento do pesticida Roundup que acarretou diversos processos judiciais contra a empresa por propaganda enganosa e contaminação da cidade de Anniston, nos Estados Unidos, vitimizando centenas de pessoas por causa do vazamento de um óleo químico utilizado em transformadores elétricos, que foi produzido entre 1929 e 1971, do qual a empresa estava ciente dos danos. Estas informações são encontradas no documentário "O Mundo Segundo a Monsanto" [acesse o playlist do filme aqui].
Estamos vivendo um momento crítico onde as informações disponíveis são deturpadas, pois parece que não há intenção de esclarecer o público sobre as nefastas modificações que estão fazendo sorrateiramente na produção mundial de alimentos em nome do agronegócio.
Tudo isso parece ter uma íntima relação com o Codex Alimentarius, projeto que foi desenvolvido conjuntamente, nos anos 60, por duas Organizações das Nações Unidas: a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (Food and Agriculture Organization, FAO) e a Organização Mundial de Saúde (OMS). O seu propósito foi o de orientar e promover o desenvolvimento e criação de definições e exigências para os alimentos, a fim de contribuir para a sua harmonização, facilitando, desta forma, o comércio internacional.
Assista a palestra da Dra. psiquiatra Rima Laibow, na Associação Nacional de Profissionais de Nutrição (NANP) em 2005, sobre os acordos comerciais da OMC e suas regulamentações a cerca da produção e comercialização dos alimentos, que incluem as seguintes exigências: inocuação dos alimentos por radiação, proibição de nutrientes considerados "tóxicos" e liberação do uso de agrotóxicos que já foram proibidos por causarem graves danos ao homem e ao meio ambiente. (http://www.healthfreedomusa.org)
No caso da cartilha, foi alegado que pelo fato dos orgânicos não utilizarem agrotóxicos eles são mais propensos à contaminação e uma das exigências do Codex Alimentarius torna lei o uso de agrotóxicos que outrora foram proibidos.
Uma matéria da Scientific American publicada em 21/07/2009, denunciou como empresas de biotecnologia impedem a realização de pesquisas independentes sobre transgênicos. E, de certa maneira, explica a omissão da maior parte do meio acadêmico sobre o tema. [leia a tradução da matéria aqui].
Uma névoa paira sobre o nosso futuro: informações em migalhas, polêmicas, boatos e cada vez mais dúvidas... E só fica seguro quem acredita no marketing poderoso desse tipo de empresa.
